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  • Dr Motta

Como o dentista deve se posicionar durante o atendimento?

Em mais um episódio do #tutorial lateral vamos falar do posicionamento. Esse conhecimento é baseado no artigo publicado na revista APCD do mês de julho de 2020, cujo nome é “Odontologia lateral: um novo conceito em atendimento para o consultório odontológico”.

Nesse texto, você vai observar que foi proposto uma nova posição de atendimento para o dentista e um novo jeito de trabalho por três motivos:

O primeiro é que os cirurgiões-dentistas pertencem ao grupo de risco das Lesões por Esforços Repetitivos (LER) ou Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT), e mesmo com toda a evolução da tecnologia, ainda hoje 96% dos dentistas tem dores ocupacionais. Para se ter uma noção do quanto é preocupante esse dado, a prevalência na população em geral é de 56%.

O segundo ponto é que a odontologia é a profissão de maior risco ocupacional a ser exercida no mundo, já que o Cirurgião-Dentista (CD) está exposto a vários riscos associados a diversos agentes presentes no ambiente de trabalho, tais como: agentes biológicos (fungos, bactérias, vírus); químicos (mercúrio, gases, poeira); físicos (ruído, iluminação, radiação, temperatura, ventilação, instrumentos de corte e abrasão); psíquicos (ritmo e intensidade das tarefas, metas de produtividade, insatisfação social e pessoal) e mecânicos (posturas de trabalho incorretas, movimentos repetitivos prolongados) esse último representa um dos principais problemas para o profissional.

Em terceiro lugar, devemos lembrar que já foi comprovado que o grau de conhecimento sobre as posturas ergonômicas odontológicas não se reflete na aplicação dos requisitos durante a prática clínica. Artigos mais recentes que utilizaram câmeras para observar a dinâmica de atendimento são exemplos de que a teoria não se reverte na aplicação prática.

Por esses motivos foi preciso “virar uma chave”, foi necessário propor uma inovação já que as melhorias não estavam dando resultados. Em um texto posterior falaremos da história da odontologia e vamos verificar que nunca foi proposto esse modelo de atendimento, por isso esse conhecimento é tratado como inovação. Foi Albert Einstein que disse que loucura é continuar fazendo a mesma coisa e querer resultados diferentes.


Frente a esses problemas propusemos um novo método de posicionamento do profissional. Agora a visão é dada pela movimentação da cabeça do paciente, o acesso é com os braços apoiados e o paciente fica de frente para o dentista.

Para uma melhor noção de ergonomia devemos entender o que é Tempo, Circulação, Repetição, Equilíbrio, Pressão e Esforço, a regra do T-CREPE.


A primeira coisa que vamos avaliar é que independente da teoria, passar muito TEMPO em uma posição representa um problema. Nosso corpo foi feito para se mexer. A movimentação ajuda a circulação, dissipa pressão, promove um estimulo muscular e ajuda nos ajustes de equilíbrio. Portanto, movimente-se! Isso vai melhorar sua qualidade de vida e sua odontologia. Quando pensamos em ergonomia, não devemos pensar em uma foto cheia de ângulos. Isso é uma bobagem! Pense sua ergonomia como um vídeo em que você faz constantes movimentos de ajuste corporal.

CIRCULAÇÃO é importante na ergonomia por que está ligada a oxigenação das estruturas corporais e liberação de hormônios. As estruturas desequilibradas e sobre pressão geram uma baixa oxigenação nos tecidos, isso pode inclusive causar lesões. Temos vários estímulos a circulação corporal, um deles é o retorno venoso das pernas. Ao movimentar a musculatura das pernas você estimula o retorno venoso e melhora a circulação corporal como um todo e ainda libera hormônios que até diminuem o estresse, portanto caminhar é fundamental. Também fazer pequenos ajustes e desequilíbrios na postura favorece a circulação e diminui as pressões localizadas. Portanto, movimente-se! Isso vai melhorar sua qualidade de vida e sua odontologia.

Repetições são problemáticas quando ocorrem de forma assimétrica e com um esforço muscular. Lembrando que na academia você faz diversas repetições de pesos, mas são pausadas, simétricas e com posturas corporais rígidas. Uma musculatura tonificada permite uma postura muito melhor, por isso é recomendado a execução de exercícios.

ESFORÇO é quando temos ativação muscular para manter, estender ou contrair a musculatura. Uma posição de exemplo do mínimo esforço é deitado em decúbito ventral (barriga para cima), onde temos todas as estruturas corporais apoiadas e consequentemente relaxamento muscular. Importante observar que apoios diminuem o esforço. O conforto muscular vem do relaxamento muscular. O estresse pode tencionar a musculatura em equilíbrio ou até mesmo em repouso e representar o aparecimento de dores. Por esse motivo preconizamos o máximo de apoio possível para todas as estruturas corporais e um controle do estresse mental. Dores e estresse podem tirar o foco do trabalho e representar uma queda em qualidade de vida e desempenho.

PRESSÃO é dada pela força sobre área. Quanto maior a área de apoio, menor a pressão. O conforto de uma almofada vem exatamente por aumentar a área da superfície diminuindo a pressão. Nós preconizamos o maior número de apoios possíveis sobre as estruturas corporais.

EQUILIBRIO é dado pela somatória de momentos igual a zero. Momento é a força aplicada em uma determinada distância. As regras de postura obtidas na ergonomia, nada mais são do que a explicação dos pontos de equilíbrio de cada articulação do corpo, o que representa menor esforço e boa circulação. Normalmente, em equilíbrio uma posição articular não sofre com esforço mesmo quando submetida a uma variação de 10 a 30 graus.



Portanto, para buscarmos uma posição ergonômica temos que ter em mente o mínimo esforço equilíbrio de todas as estruturas com variações médias de 25 graus, baixa pressão, uma boa circulação, um curto período de tempo e um limite de repetições. Para isso deveríamos ter em nossa mente um filme de movimentos contínuos.

Quando estamos de pé, temos um equilíbrio postural, mas temos um esforço grande das estruturas musculares para manter a posição. Esse é o principal motivo pelo qual optamos na odontologia por trabalhar sentado. Essa posição representa equilíbrio das articulações com um mínimo de esforço, já que a maior parte das estruturas estão apoiadas. Mesmo assim essa posição deve ser dinâmica, não representa ergonomia se tivermos que passar horas estáticas.

Falando de postura do dentista:


O maior problema postural da odontologia é como o dentista enxerga a boca do paciente que está embaixo, então o dentista olha para baixo. Para compensar esse desconforto o dentista encolhe o externo, projeta para frente, ombros, costas e cabeça. Por isso não representa resultados significativos alterar onde o dentista senta, já que não altera a angulação de enxergar.


Assim a única solução postural que é possível para uma visão direta é colocar o paciente a frente do dentista, e foi exatamente o que a odontologia lateral fez. A cama odontológica é o equipamento com ajustes necessários para sustentar o paciente de forma confortável de lado.

Na cadeira odontológica as inclinações laterais acontecem também pela necessidade de enxergar as oclusais dos superiores. Para enxerga, o dentista deveria se deslocar com as regras do relógio, inclinar encosto constantemente e mexer no encosto de cabeça. Pela lei da praticidade o dentista simplesmente se inclina para os lados. A melhor solução é fazer movimentos práticos, como um movimento curto da cabeça do paciente e não mais mexer o corpo nem o equipamento.


Mesmo com o dentista ereto e com os antebraços em 90 graus, essa posição representa um esforço. A solução para evitar sobrecargas de ombros foi colocar apoios e evitar ativação muscular.

Formando um triangulo equilátero ou triangulo de ouro, há um equilíbrio entre todas as posturas, com a vantagem de o cone de visão estar sempre para frente. Dessa forma as normas ergonômicas são atingidas com apoio de braços e uma posição de conforto para o paciente.

Dr. Roberto Motta

CRO: 105109

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